domingo, 25 de março de 2012

Não sei que dia é hoje.

O calendário rabiscado na borda marca que é 24 de novembro, não sabe ao certo, mas não tem tanta importância saber em que dia estou, em que hora os ponteiros marcam, não me interessa se o dia está ensolarado ou se irá chover. Não me importo com migalhas, com o mundo lá fora, com as passadas que me tomam um pedaço. Meus instintos ainda beiram fevereiro, época em que sua presença não me deixava beirando qualquer buraco aberto no chão, em qualquer terra fria quero me jogar, só para ter a certeza que a dor ainda me acompanha.Minhas mãos tremulas tentam – falhando a cada frase, acompanhar a explosão dessa madrugada em mim, estou soando frio desde as 3h e ainda não tenho motivos. Meus olhos são incessantes oceanos avermelhados, perderam a cor de quem tanto eu me orgulhava, perderam o brilho que os acompanhavam, mesmo quando tudo era só a claridade, a negritude me trazia de volta para casa, sem ter as pernas perambulando pelo desconhecido. Mas hoje, eles me prenderam com tua imagem, com você se esvaindo enquanto eu minuciosamente cortava os seus pulsos, prometi a mim em silêncio que cada parte minha que existia em você, eu pegaria de volta, sugaria até a última gota o que era meu por direito. Suguei, meus dentes te feriam, teus olhos estavam inchados, mas o que é meu está aqui.O teu sangue tinha gosto de nostalgia, pois lá havia a necessidade do amanhã, que nunca me escapou enquanto dormia. Era amargo.
Hélida Carvalho.

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Trecho de "Eu, delírio."

"Sendo despertado por amantes que batem na porta às 5:50h da manhã e esperam ser atendidos com um belo sorriso, e um exalo leve do cheiro que carrego. Devo avisa-los que veneno tem gosto doce, e é um delírio em fim de tarde. Não acostume-se com o sabor, se não vai beber dessa água por muito tempo."

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Escrevo porque não posso sair gritando nas ruas, ou talvez escrevo porque ainda não tenho o que falar. Hélida Carvalho, inspirada na musica que me ouve.

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