domingo, 5 de maio de 2013

La-gri-ma

Amor,
a história mais antiga do mundo
um começo
um meio
outro fim.

Somos duas bombas caseiras prontas pra devastar qualquer quarteirão.
Agora eu entendo. Por tanto tempo foi tão bonito olhar o céu dos teus olhos que ao tentar andar caí. Caí de um prédio de vinte andares e ainda assim nada me dói mais do que te ver indo embora outra vez. Outra vez que nos confundimos e você virou a esquina errada, eu bati no poste e você morreu. Eu amei e você correu. Eu e você. Sempre essa dor ambulante com mais de quinze anos e ainda não tendo a paz merecida. O que fizemos, amor? Em que esquina nos perdemos e aceitamos a condição que não fomos feitas pra durar? Em que dor se perdeu esse amor que não nasceu mas que morre a cada passo que você dá ao contrario do caminho que tracei pra nós.

Você já foi minha alguma vez? Você já prometeu ficar e foi embora segundos depois? Você sabia que a dor que eu tenho num lado do peito pode cobrir você e te afundar até o mais sombrio pesadelo da sua mágica mente? 
Amor
Amor
Por que pensar tanto se nada tem outro meio
Por que não aceitar que somos fim e que prolongar isso seria só colocar mais um fim após o outro e outro e outro
e nos fazermos eternas enquanto o mundo lá fora nos rebate e nos joga em qualquer calçada imunda
ou nos tranca em um quarto arrumado como cemitério
Na sua cama tem sonhos?
Você tem sonhado ou morrido a cada vez que encosta ao travesseiro e chama por mim?

Eu nunca estou lá
Eu nem sei quem sou e por isso não te digo onde me escondo

Você está perdida
Tão lindamente perdida quanto eu e as palavras se perdem conosco e nos enfeitam
mostrando que não existimos além do que sentimos

Não seriam suficientes pra demonstrar o quanto transbordo (com todas as silabas separadamente) amor quando você encosta em mim e diz baixinho que sou doce
quando o  resto (todos eles que joguei fora)
me provaram como fel

Amor, você foi embora ou está escondida atrás dos meus olhos?
ou talvez embaixo da cama onde escrevo essas milhares de cartas que não dizem nada mas que insisto em escrever por tentar
tentar tentar
tentar vomitar o que senti quando você me apunhalou e me beijou na mesma semana
e por dias só consegui pensar quando você voltaria pra me machucar mais uma vez

E percebi que não sou nada quando você não vem
que a água do chuveiro é mais fria e que se tomo remédios a mais fico quase cega
caindo pelos cantos tentando mandar esse amor embora
como a tv fica desinteressante a ponto de me fazer assistir cada programa de tv
como toda musica toca e nenhuma nos ouve porque você não está aqui
mas cada pedaço seu toma o meu corpo como se eu nunca tivesse morado em mim
esse amor que toma o meu corpo como um câncer em fase terminal
me fazendo morrer cada vez que fecho os olhos e você não está lá

Você já ficou algum dia?
Você vai voltar na próxima década e eu não vou dizer tudo o que eu tinha pra dizer porque eu não sei como
você tem tanto de mim e isso é o teu pecado
não fomos feitas pra durar

Sem o sentido que trago, te ver com qualquer outro é um inferno
porque seu amor é meu por obrigação
você me tem tanto e me joga tanto
me joga em cada palavra que escapa da sua boca e por acidente me faz morar em você por mais um semestre
me joga em cada mesa de bar, me aposta como se eu não fosse tão valiosa quanto os 500 reais na sua carteira
me joga como um cigarro que não fumou até o fim por preguiça
eu sou um tédio, amor
vamos jogar tempo fora

Volta pra casa
se eu ainda for a sua

Um comentário:

  1. Porra Hélida! 'o' sem palavras. Você tem mais profundidade nas suas linhas do que eu em um texto inteiro. que inveja D:

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Trecho de "Eu, delírio."

"Sendo despertado por amantes que batem na porta às 5:50h da manhã e esperam ser atendidos com um belo sorriso, e um exalo leve do cheiro que carrego. Devo avisa-los que veneno tem gosto doce, e é um delírio em fim de tarde. Não acostume-se com o sabor, se não vai beber dessa água por muito tempo."

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Escrevo porque não posso sair gritando nas ruas, ou talvez escrevo porque ainda não tenho o que falar. Hélida Carvalho, inspirada na musica que me ouve.

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